Dormir 7 ou 8 horas por noite deveria ser suficiente.
Pelo menos é isso que nos dizem.
Mas para muitas pessoas, a realidade é outra: acordam cansadas, sem energia, com a sensação de que o descanso nunca foi completo — mesmo tendo “cumprido” as horas recomendadas.
Isto acontece porque o sono não é controlado pela força de vontade, como explico em porque dormir mal não é falta de força de vontade.
Se isto te soa familiar, há uma coisa importante a saber desde já: o problema pode não estar na quantidade de sono, mas na qualidade e no estado do corpo durante a noite.
Dormir não é o mesmo que recuperar
O sono não é um botão de desligar.
É um processo ativo, profundamente ligado ao sistema nervoso, às hormonas e ao nível de stress acumulado ao longo do dia.
É possível estar deitado durante 8 horas e, ainda assim, passar grande parte da noite em estados de sono superficial. Nestes casos, o corpo não entra tempo suficiente nas fases mais reparadoras — aquelas em que ocorre a verdadeira recuperação física e mental.
O corpo continua em “modo alerta”
Um dos motivos mais comuns para acordar cansado é simples, mas pouco falado:
o corpo não se sente seguro o suficiente para desligar por completo.
Quando o sistema nervoso não desliga, o corpo continua em alerta à noite, mesmo que faças “tudo certo”.
Stress constante, preocupações não resolvidas, excesso de estímulos, pressão mental prolongada — tudo isto mantém o sistema nervoso em alerta, mesmo durante o sono.
Externamente parece que dormes.
Internamente, o corpo continua em vigilância.
As horas certas não garantem descanso
A ideia de que “mais horas resolvem tudo” pode ser enganadora.
Quando o sono é fragmentado, superficial ou interrompido por microdespertares, o número de horas perde relevância.
Por isso, há pessoas que dormem menos tempo mas acordam melhor — e outras que dormem mais e continuam exaustas.
O fator decisivo não é apenas quanto dormes, mas como o teu corpo atravessa a noite.
O papel do ritmo interno
Dormir fora do teu ritmo natural também cobra um preço.
Horários irregulares, deitar sempre a horas diferentes ou forçar rotinas que não respeitam o teu funcionamento interno podem impedir o corpo de entrar num ciclo de sono estável.
Com o tempo, isto acumula-se em forma de cansaço persistente — mesmo quando as horas “batem certo”.
O que este cansaço está a tentar dizer
Acordar cansado não é sinal de fraqueza, preguiça ou falta de disciplina.
É um sinal de que o corpo ainda não conseguiu recuperar como precisa.
Antes de adicionar soluções, suplementos ou mais regras, é essencial compreender o contexto:
o nível de stress, a forma como o dia termina, a previsibilidade da noite e a sensação de segurança interna.
O descanso verdadeiro começa muito antes de fechar os olhos.